Descrição
ALOPECIA FIBROSANTE FRONTAL: IMPORTÂNCIA DE UMA VISÃO INTEGRATIVA DO TERRENO BIOLÓGICO PARA COMPREENSÃO E MANEJO
Palavras-chave:
Alopecia fibrosante frontal; líquen plano pilar; terreno biológico; inflamação crônica; disbiose; hormônios; manejo integrativo
Resumo
A Alopecia Fibrosante Frontal (AFF) é uma alopecia cicatricial primária com progressão lenta, marcada por recessão da linha capilar frontotemporal e perda de sobrancelhas, predominando em mulheres após a menopausa, mas também descrita em homens e mulheres jovens. A etiologia é multifatorial: suscetibilidade genética, colapso do privilégio imune folicular, desequilíbrios hormonais (queda estrogênica e possível participação androgênica), alterações metabólicas (resistência insulínica, inflamação de baixo grau), fatores ambientais (cosméticos, protetores solares, metais pesados, poluentes) e, possivelmente, disbiose intestinal. Histologicamente, destacam-se infiltrado linfocitário em istmo/infundíbulo, apoptose de células da bainha externa e fibrose perifolicular com destruição irreversível de folículos. Do ponto de vista terapêutico, corticosteroides tópicos/intralesionais, antimaláricos (hidroxicloroquina), inibidores da 5-alfa-redutase (finasterida/dutasterida) e imunossupressores podem estabilizar a progressão, embora recidivas e efeitos adversos limitem resultados. Abordagens emergentes (PRP, fotobiomodulação, JAK-inibidores, pioglitazona) são promissoras, carecendo de ensaios robustos.
Este artigo sintetiza evidências recentes e propõe enxergar a AFF pela lente do “terreno biológico” — a constelação de fatores internos (imunidade, hormônios, metabolismo, microbiota) e externos (ambiente) que modulam a expressão da doença. Com base em revisão integrativa (2010–2024) em bases internacionais e regionais, discutimos lacunas e delineamos um modelo clínico integrativo que combina terapias dermatológicas com nutrição anti-inflamatória, modulação da microbiota, suporte mitocondrial/antioxidante, manejo do estresse e redução de exposições tóxicas. Conclui-se que a integração de estratégias convencionais e sistêmicas, aliada à medicina personalizada, tende a melhorar estabilização clínica e qualidade de vida, enquanto ensaios clínicos e biomarcadores precoces permanecem prioridades para pesquisa.



